terça-feira, 17 de novembro de 2009

Simpatectomia: Alguns dados interessantes.

Oi pessoal, tudo bem?

Primeiramente, gostaria de dizer que estou muito feliz com a repercussão e o fantástico número de visitas que tenho recebido aqui no blog. Obrigada também às pessoas que me mandam emails contando suas histórias! Agradeço muito, pois quanto mais Hiperidróticos eu conhecer, melhor para poder escrever as coisas certas!


Achei interessante, pois aborda alguns tópicos que são pouco discutidos, como por exemplo que sentimentos desencadeiam a Hiperidrose, dentre outras coisas.

Selecionei alguns trechos (mas se possível, leia todo o artigo):

Foram avaliados 50 pacientes consecutivos submetidos a tratamento cirúrgico de hiperidrose palmar, simpatectomia torácica com excisão cirúrgica de T3 a T4, por cirurgiões torácicos da Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte no período de junho de 2001 a junho de 2007.






RESULTADOS:


  • Dos 50 pacientes submetidos a simpactectomia torácica, 42 (84%) tinham hiperidrose associada em outro local sendo 40 (80%) à hiperidrose plantar.  
  •  Tecidos sintéticos, medo, vergonha e tristeza ou alegria desencadeavam ou pioravam a hiperidrose de três dos pacientes. O calor foi responsável pela crise de suor em 17 pacientes (34%) e a ansiedade esteve presente em 19 pacientes (38%). Irritação gerava crise de suor em 31 (62%), enquanto cinco (10%) pacientes não relacionaram a hiperidrose a fator algum físico ou emocional.
  • Dos 50 pacientes submetidos à operação, 10 (20%) tiveram persistência da hiperidrose na região palmar ou axilar; mesmo assim, sete (70%) desses acharam que sua qualidade de vida melhorou após a operação, um (10%) considerou sua vida inalterada e dois (20%) relataram piora da qualidade de vida e se arrependeram da operação. Das 10 pessoas em que os sintomas persistiram, quatro (40%) continuaram com a hiperidrose palmar e cinco (50%) passaram a ter hiperidrose axilar.
  • Hiperidrose compensatória ocorreu em 39 (78%) pacientes, sendo que três (6%) pacientes tiveram compensação plantar, 28 (56%) no dorso e em oito (16%) casos houve a hiperidrose compensatória em região plantar e no dorso simultaneamente. Dentre os 39 pacientes, dois (5,1%) arrependeram-se da operação. Foi observado hiperidrose compensatória em 25 mulheres (65,7% das mulheres) e em oito homens (66,6% dos homens), não havendo relação entre a ocorrência de hiperidrose compensatória e o sexo (p = 0,955; OR = 0,96, 0,2 < OR < 4,54).
  • A qualidade de vida antes da operação foi "boa" para 29 (58%) pacientes, para cinco (10%) "muito boa", para 12 (24%) "ruim" e para quatro (8%) "muito ruim". Ainda nesse aspecto, 46 (92%) consideram que a qualidade de vida após a operação "melhorou"; para dois (4%) continuou "inalterado" e para dois pacientes "piorou".
  • Dos 50 pacientes submetidos a simpatectomia, dois deles (4%) relataram ter se arrependido do procedimento. Nesses pacientes, foram verificados persistência da hiperidrose palmar, bem como de hiperidrose compensatória em dorso, abdome e região torácica anterior em um paciente e planta do pé e abdome no outro. Em ambos os pacientes, houve piora da qualidade de vida em todos os aspectos estudados.
  • Um problema encontrado nesse tipo de tratamento é a impossibilidade de reversão da cirurgia nos pacientes que se arrependeram do procedimento operatório. Ainda que o grau de satisfação com o tratamento chegue a 92% dos pacientes, naqueles que permaneceram insatisfeitos não é possível restituir a condução nervosa do gânglio simpático após excisão, na tentativa de amenizar a sudorese compensatória intensa. Não obstante exista a possibilidade de reversão após clipagem do gânglio simpático, não há estudos que confirmem tal hipótese. 
  • CONCLUSÃO: O tratamento cirúrgico da hiperidrose melhora a qualidade de vida, porém a hiperidrose compensatória ocorre em quase todos os pacientes.     

Bem, dessa vez não vou fazer muitos comentários, acho que o texto ficou bem claro. E no meu caso, o que desencadeia a Hiperidrose é geralmente o calor. Mas usar tecidos sintéticos é outra coisa que faz suar que é um absurdo! 

Achei que ficou faltando perguntar para essa amostra estudada, se algum alimento desencadeava o suor. No meu caso, tomar café num dia quente ou então tomar café e depois ter que andar ou fazer algum esforço físico também é um prato cheio para suar no corpo inteiro.

E o que mais me incomoda também está ali na tabela: eu marcaria todas exceto a última, mas principalmente  "Dificuldade Escolar", pois ter Hiperidrose Palmar e ter que lidar com papéis, escrever, fazer provas, etc é um suplício! Mas novamente, desculpem a repetição, terei que citar o Driclor: Desde que comecei o uso, nunca mais tive problemas para escrever e fazer provas na faculdade: Mãos sequinhas!

E você? O que mais te incomoda e o que te faz suar?

isabel.borges@globo.com

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Botox para tratamento da Hiperidrose

No último post, prometi que o próximo seria sobre "o lado bom" da simpatectomia, os avanços que vem acontecendo e o esforço dos médicos em tentar evitar a compensatória.

Entretanto, resolvi deixar este assunto para mais tarde, e vou falar sobre o tratamento com aplicações de Botox para o alívio dos sintomas da Hiperidrose.

O Botox é o nome dado à toxina botulínica, que é obtida através de uma bactéria, a Clostridium botulinum.

Seu efeito é simples: relaxa a musculatura, pois impede que os neurotransmissores entreguem a "mensagem" enviada pelo cérebro para  que o músculo se movimente. É assim que ele é famoso por combater as rugas e marcas de expressão, todavia, quando usado em excesso, a pessoa fica sem rugas mas também perde a expressão facial, pois a musculatura de seu rosto praticamente não se movimenta mais.

E para tratar a Hiperidrose, o Botox age da mesma forma: não deixa chegar até a glândula sudorípara a mensagem "transpire!" que é enviada.

Os principal problema dessa técnica é o preço elevado, e a duração de aproximadamente 6 meses, que faz com que seja necessário repetir todo o tratamento. Quanto a dor, acho difícil dizer, muitas pessoas são bem tolerantes a dor, a agulha utilizada é bem fininha, mas acho que depende de pessoa para pessoa.

Pensa em aplicar botox nas mãos? Nos pés? Nas axilas? Assista a estes vídeos:

Palmar:




Plantar:




Axilar:



É... Acho que ainda prefiro o Driclor!!! =)

isabel.borges@globo.com

domingo, 8 de novembro de 2009

Os riscos da simpatectomia: a sudorese compensatória

Primeiramente, gostaria de agradecer às visitas e aos emails que tenho recebido. Muito obrigada! Espero continuar ajudando as pessoas que sofrem com a Hiperidrose a ter uma melhor qualidade de vida.

Está pensando em fazer a simpatectomia (cirurgia para a "cura" da Hiperidrose)? Aqui vai algo que você precisa saber.

De forma simples, a simpatectomia por vídeo realizada atualmente consiste em pequenas incisões no tórax por onde uma câmera é inserida e, com o auxílio desta, são cortados  ou clipados determinados nervos que são os responsáveis pelo suor excessivo.
De acordo com o local onde paciente sua excessivamente, um nervo específico deve ser anulado. Isso significa que, teoricamente, tal local nunca mais vai apresentar suor, pois o nervo foi cortado. Porém, o suor muitas vezes cessa não só naquela área desejada, mas numa área maior do corpo.



O problema da Hiperidrose naquele local será sanado. Entretanto, o que acontece é que o suor em outras partes do corpo aumenta para compensar a falta de suor naquela área que ficou seca. Essa é a compensatória, que pode ser leve e não incomodar o paciente, ou então pode ser severa, fazendo o paciente se arrepender do procedimento cirúrgico praticamente irreversível.

Vou citar a pesquisa publicada na Revista da Associação Médica Brasileira de Setembro de 2007, que encontrei no Scielo (Scientific Eletronic Library Online), entitulada:



Clique no título acima para ler o artigo completo. Aqui, reproduzirei os parágrafos finais:


A sudorese compensatória ocorreu em quase todos os pacientes (97,2% no grupo T2 e 96% no T3), sendo que esta diferença discreta entre os dois níveis não foi significativa. Analisando o desfecho, segundo a intensidade, observou-se que a sudorese compensatória foi moderada a importante em 45% dos pacientes cujo nível da realização da simpatectomia foi em T2 e, em 19%, no nível T3. A redução de risco absoluto (RRA) de 26% (IC95% 21,5 a 30,5) obtida com a intervenção em nível de T3 pode ser traduzida como sendo necessário tratar quatro pacientes para se obter um benefício quando comparado à intervenção em nível T2 (IC95% 3 a 5).
Diante do exposto, pode-se afirmar que a sudorese compensatória é um efeito adverso freqüente que faz parte do resultado pós-operatório da simpatectomia no tratamento da hiperhidrose. Os pacientes devem ser orientados quanto à certeza dessa manifestação clínica, em que, no melhor cenário, de cada cinco pacientes operados, um evoluirá com sudorese moderada ou importante, que por sua vez é mais freqüentemente observada quando a simpatectomia é realizada em nível de T2, quando comparada a T3. Deve-se esperar, ainda, que os instrumentos de avaliação de qualidade de vida, centro da expressão do benefício, incluam, de maneira destacada e adequada, a avaliação da sudorese compensatória, sobretudo nas formas moderada e importante. 

Bem, aí está um fato. A cirurgia significa uma sudorese comensatória, pois o corpo precisa manter sua regulação de temperatura. A questão é: desenvolverei ou não uma compensatória severa? Os estudos mostram que cortar o nervo T2 é quase que pedir para ter uma compensatória severa. Ele pode ser seccionado principalmente para os casos de palmar ou crânio-facial. Devido a isto, atualmente, face a estas constatações, os médicos evitam seccionar o T2. Porém, mesmo sem seccionar o nervo T2, ainda sim existe o risco do paciente apresentar compensatória severa.

No próximo post, falarei sobre outro estudo sobre a Simpatectomia, que mostra a tentativa dos médicos em reduzir a compensatória e os dados obtidos, e o que de mais atual se tem realizado neste procedimento para tentar evitar ao máximo a compensatória, também chamada hiperidrose reflexa.

Para uma coisa também se deve atentar: os estudos que existem acerca do tema são poucos, e os que existem não se mostram completos ou totalmente imparciais.



Por tais razões que sempre considerarei a cirurgia como último recurso, realizado somente se nenhum outro método paliativo deu certo. É muito triste ver os relatos de quem sofre com isso e diz "se eu soubesse do Driclor antes de fazer a cirurgia....".

Como comentei no primeiro post do blog, há alguns anos atrás tomei a decisão equivocada de me submeter à simpatectomia. Pesquisei médicos, preços, como funcionaria a cirurgia... Mas quando me deparei com a chance de tudo dar errado parei para refletir: Será que vale a pena? Em qualquer procedimento cirúrgico aliás, existem riscos. Estaria lidando com os riscos normais de uma cirurgia além dos riscos pós-cirúrgicos. Foi então que resolvi esperar mais e não fazer nada correndo. Comecei a pesquisar e pesquisar e a ler tudo sobre o assunto, fóruns internacionais, nacionais, tudo que eu podia. E foi então que descobri o Driclor e resolvi o meu problema de uma forma muito mais simples, barata e sem riscos.

Até o próximo post!
isabel.borges@globo.com

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Continuação - Driclor: Como usar e possíveis efeitos colaterais

Bem, aqui eu falei introdutoriamente sobre o Driclor e seus quase-milagres para a Hiperidrose. Agora vou falar sobre como usar o Driclor e seus possíveis efeitos colaterais.

Em primeiro lugar, vamos à BULA TRADUZIDA DO DRICLOR (tradução livre feita por mim, algumas partes foram suprimidas):


O que contém a solução do Driclor?
Driclor contém 20% w/w cloreto de alumínio hexaidratado Ph. Eur (185mg/ml) como ingrediente ativo. Ele também contém como ingredientes inativos álcool etílico e água purificada. É um líquido transparente e vem num frasco de 60ml.
Driclor é usado para tratar sudorese excessiva.

Por que Driclor?
Todos transpiram em alguma quantidade, especialmente quando está calor, mas algumas pessoas transpiram e ficam suadas mesmo sob condições normais. Constrangimento, stress e tensão podem piorar ainda mais as coisas. Driclor é um potente antiperspirante para tratamento da transpiração excessiva.

Antes de usar Driclor
Driclor pode não ser bom para algumas pessoas. Se você é alérgico a qualquer um dos ingredientes mencionados acima, você deve checar com seu farmacêutico antes de usar Driclor.

Driclor pode causar ardência e irritação em algumas pessoas. Se isso te incomodar, pare de usar Driclor por um tempo para ver se ajuda; se isso não ajudar, então peça auxílio ao médico ou farmacêutico. Você pode reduzir as chances de ardência (ou pinicação) ou irritação se assegurando de que:
  • Você secou sua pele cuidadosamente antes de aplicar Driclor.
  • Você não aplicou Driclor em cortes ou escoriações, pois isso irá arder.
  • Se você depila as axilas, tente fazê-lo pela manhã, ou em momentos diferentes do de aplicar Driclor.
  • Evite o contato de Driclor com os olhos.
Como usar Driclor
Driclor deve ser aplicado nas áreas afetadas usando o aplicador roll-on da maneira usual. Deve ser aplicado somente na pele. É melhor utiliza-lo à noite, antes de deitar-se para dormir, quando as glândulas sudoríparas estão menos ativas. Lave bem pela manhã e não reaplique durante o dia. No começo, você deve usar Driclor toda noite até o suor parar durante o dia. Nessa fase, você poderá cortar seu uso para duas vezes por semana ou menos.

Efeitos Indesejáveis
Driclor pode manchar roupas, então tome cuidado para esperar o produto secar totalmente antes de colocar roupas para dormir. Driclor pode descolorir bijuterias e superfícies de metal. Driclor pode causar irritação em certas pessoas, se isso ocorrer, peça auxílio ao seu médco ou farmacêutico. Se você sentir qualquer efeito adverso não mencionado neste folheto, pare de usar Driclor e procure seu médico ou farmacêutico.

Outras informações
Driclor não contém qualquer perfume e não é um desodorante. Você pode continuar usando seu desodorante da maneira usual.

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Então é isso, o que eu posso acrescentar sobre o modo de usar é:

  • Use uma quantidade pequena do produto. Encharcar a pele não fará mais efeito do que passar uma camada moderada. Principalmente nos primeiros dias, comece com cautela, para evitar irritações. Se você sentir que está tudo certo e achar que há necessidade de passar um pouco mais, aí tudo bem, passe uma camada mais generosa. Nas minhas mãos uso uma camada moderada, nem pouco, nem muito. Nos primeiros dias, apliquei bem pouco para ver se ia arder ou acontecer algo indesejável. Só então comecei a usar o produto em quantidade um pouco maior.
  • O Driclor demora um pouco pra secar, mas tenha cuidado pois pode manchar sua roupa de dormir e as roupas de cama também. Se for usar nas mãos, cuidado para não acabar retirando o produto sem querer, e cuidado para não passar a mão nos olhos ou nariz.
  • SEMPRE lave bem a região com o Driclor ao acordar para não deixar resquícios. Nunca use Driclor de outra forma que não seja à noite, antes de dormir.
  • Muito importante: Nunca use o Driclor por mais tempo do que realmente é necessário. Nos primeiros dias, assim que sentir a redução do suor, não aplique mais até voltar a suar ou espere um pouco antes de reaplicar. Usar o produto sem necessidade, num período em que ele ainda está ativo e fazendo efeito, só irá prejudicar sua pele. Lembre-se: menos é mais.
  • Ele poderá ressecar um pouco sua pele. Use um hidratante se necessário. No meu caso, que aplico com o maior intervalo de tempo possível, minhas mãos continuam como sempre foram. Mas quando tá num período de muito calor e há a necessidade de mais aplicações, minhas mãos ficam um pouco ressacadas e quando isso acontece uso um hidratante e o problema se resolve.
Por enquanto é isso!

Agradeço às pessoas que me mandaram emails, espero que o blog esteja sendo útil! Quem quiser participar, envie seu relato, conte sobre os problemas da Hiperidrose, os produtos que usa! Terei enorme prazer em publicar!

E quem quiser Driclor, procure no eBay ou sites de farmácias internacionais! Eu também tenho alguns frascos disponíveis para pronta entrega no Brasil!
isabel.borges@globo.com


Um forte abraço!